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29 de Março de 2020

Quem tem medo do lobo mau?

Gisele Leite, Professor de Direito do Ensino Superior
Publicado por Gisele Leite
há 11 meses

Em nossa infância fomos apresentados ao mundo da fantasia repleto de estórias e aventuras emocionantes. E, muitos desses personagens marcaram gerações e serviram de inspiração, enquanto outros causaram medo e pavor.

Em verdade, tais contos sempre nos remetem a imagem malévola do lobo. Mas, quem ainda tem medo do lobo mau? E, recordem-se que a chapeuzinho vermelho que atravessou incólume toda floresta quase presenciou sua vovozinha ser devorada pelo lobo e, os épicos três porquinhos tiveram suas casas destruídas.

Enfim, todo mundo tem medo do seu lobo mau particular, e isso não é diferente para governos, empresas e famílias.

A dificuldade de se assumir como concorrente, de posicionar-nos diante da oposição, de apresentar algo novo ou inovador, ou simplesmente enfrentar triviais problemas de gestão e de relacionamento interno seja no governo, no partido político, ou na incipiente democracia brasileira é absolutamente normal e corriqueira.

Afinal, os mais malévolos animais e predadores estejam nas histórias infantis ou na vida real, foram precisamente inseridos para que o protagonista da estória possa superar um medo, um problema, e finalmente, absorver através da aprendizagem um método de desenvolvimento, superação ou realização.

E, ao longo das narrativas, percebe-se que tais personagens aprimoram suas habilidades e expandem seus conhecimentos, amadurecendo e conquistando sonhos, objetivos e concretizando desejos. Não é diferente, no contexto empresarial ou governamental, onde os predadores servem como uma franca alusão aos desafios organizacionais em prol do progresso e de conquistas importantes.

Por isso, é aceitável a rejeição aos cursos de humanas e, particularmente, aos cursos superiores de Filosofia e Sociologia pelo grau de reflexão e extensão de conhecimentos que produzem, não propiciando a articulação em massa do mantra tão almejado: -Sim, boana!

Mas sempre é possível corrigir um erro e, evitar que o mesmo erro se repita de forma desastrosa. Mas, é difícil, porém prever quais problemas futuros podem ainda acontecer. Para tanto precisamos encarar os lobos maus pelo mesmo ângulo do conto infantil e, então, promover o aperfeiçoamento constante dos métodos, habilidades e processos e, principalmente, da democracia tão engatinhante quanto tupiniquim.

Eis que diante de um mundo cada vez mais globalizado que nos transporta diretamente para uma floresta concreta e densa, cheia de aventuras e infestada de perigos e vilões. Somos diariamente colocados à prova. Assim ocorre nos países (democráticos ou não), nas empresas, organizações e em famílias onde são personagens principais desafiados e testados e, onde também os gestores é que assumem o papel de narradores dessa estória.

Há, portanto, a nobre missão de encontrar o caminho seguro até a "casa da vovozinha" e, ainda, descobrir e desbravar a estrada que nos levará até a concretização dos nossos objetivos, encontrando sempre soluções, customizações e alternativas para lutar contra os eventuais lobos maus que surgem pela floresta a fora.

Aprenda a transformar o lobo mau em um belíssimo cão domesticado, capaz de lhe entender, conviver e, ainda, por cima, lhe ter afeto. Afinal, ninguém resiste a uma sedução inteligente com ganho para todos.

2 Comentários

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Sabe Giseli sou marido de professora de escola pública. Minha esposa tem 25 anos de magistério e o que vi neste tempo são professores de Sociologia, Filosofia e História, em sua esmagadora maioria, defendendo bandidos, endeusando criminosos e dourinando jovens e adolescentes a adorarem ditadores e seus seguidores.

Os assassinos Fidel e Tchê são assassinos mas os professores de História, Sociologia e Filosofia ensinam jovens com poucos recursos que são heróis. Uma clara doutrinação nos moldes de Mao Tse Tung.

Uma boa ferramenta quando mal usada pode produz resultafos nefastos.

As escolas de Filosofia, Sociologia e História são grandes escolas e que tem muito a nos ensinar, mas nos últimos tempos, devido a orientação totalitária nos moldes do perverso comunismo tem trazido muitos males para a Sociedade de Bem continuar lendo

Olha, meu caro, quem defende bandido é advogado de porta de cadeia, professores de História, Sociologia e Filosofia ensinam as respectivas disciplinas, delas, em especial a história, é focada em conhecer fatos verídicos já passados e vivenciados em um dado lugar e tempo; a capacidade de pensar é ganha pela leitura e construção de um entendimento próprio do significado desses fatos no mundo, que encontram versões para todos os lados - cabe a cada indivíduo, a partir do primeiro acesso que os professores oferecem se aprofundar nas leituras e identificar quais correntes acredita que deve seguir - trata-se de liberdade intelectual. É esse um aprendizado que tive lendo Aristóteles, por recomendação do meu professor de filosofia, quando descobri que o homem é um animal político - do ponto de vista da participação na construção da cidade/sociedade. Não sei até que ponto o filósofo da antiguidade foi, nas suas palavras, defensor de bandido, ou mesmo, em que medida meu professor de filosofia se tornou endeusador de criminoso por me apresentar a Aristóteles, mas, lhe digo uma coisa, foi com a doutrina liberal, iluminista e conservadora que aprendi ser "comunista", pois, é nessa doutrina que se encontra o fundamento da propriedade privada como um bem para todos, com a sua igualdade perante a lei - todos podem ser proprietários, nesses termos, como instrumento de libertação contra as opressões do absolutismo. O fato de ler Marx e Keynes (este último apesar de social democrata vem sendo colocado na vala comum do comunismo) não me impediu de ler Smith e Hayek, mas também o fato de tê-los lido (liberais, sociais democratas e socialistas) me impede de reconhecer a estória de 64 como "revolução", senão como a história de um golpe, de modo que, o terrorismo institucional que fora ali instaurado contra um pseudo-comunismo (no Brasil, não temos a mesma história política da Europa), nada mais foi que institucionalizar tudo isso que você repudia. Repetindo a história, em outros moldes, já que esta nunca se repete tel como antes, elegemos um presidente que faz doutrinação para-militar , que enaltece assassino confesso (assassino covarde ainda por cima, pois é fácil colocar ratos nas entranhas de mulheres com um monte de homem armado as amarrando) e que faz apologia ao uso de armas junto a crianças e adolescentes (inúmeras fotos e vídeos, portanto história devidamente documentada). Desse modo, deixo para reflexão: (1) as suas experiências pessoais com professores de filosofia, sociologia e história, não é ciência, é impressão pessoal e em nada socorre para justificar a desqualificação atribuída pela recente "política pública", ao admitir que as pessoas precisam ler, escrever e fazer conta, é admitir a pior das mortes, a morte intelectual. A capacidade de refletir e criticar é o que nos diferencia de um poste e nos faz capazes de inovar, em todas as áreas; (2) o totalitarismo, que imagino seja a sua referência com Mao, não é privilégio de governo de esquerda. Pode haver governo de direita democrático, governo de esquerda democrático, governo de direita totalitário, governo de esquerda totalitário. No Brasil, por exemplo, tivemos governo de direita totalitário (o Golpe de 64) e o governo de esquerda democrático (não preciso citar nomes, já que foi o único da nossa história). (3) resultados nefastos... é como vejo a perda da capacidade crítica e de reflexão. continuar lendo